Acrísio, rei de Argos, era casado com Eurídice e tinha uma filha, Dânae, mas não tinha filhos homens. Quando Acrísio perguntou ao oráculo como a filha dele poderia ter filhos homens, a resposta foi que Dânae teria um filho e que este filho o mataria. Dânae foi trancada em uma torre de bronze e posta sob guarda permanente.
Zeus já havia se apaixonado pela beleza de Dânae e se transformou em uma chuva de ouro para penetrar nos aposentos invioláveis da princesa, evitando com este estratagema a vigilância constante de sua esposa Hera.

Danae, Leon François Comerre (1850-1916)
Este relacionamento gerou um menino que teve o nome de Perseu. Por um tempo a criança foi oculta pela mãe com a ajuda da aia, mas um dia Acrísio descobriu que seu neto nascera.
Temendo a profecia, o rei colocou sua filha e o neto em uma arca de madeira e a lançou ao mar, mas Zeus intercedeu e pediu a seu irmão Poseidon que os salvasse das ondas. Assim, a arca vagou e chegou a ilha de Séfiro, onde Díctis, irmão do rei Polidectes, os acolheu e cuidou de sua criação.
Perseu tornou-se um grande homem, forte, ambicioso, corajoso, aventureiro e extremamente protetor de sua mãe. Polidectes, com medo de que a ambição de Perseu o levasse a lhe usurpar o trono, propôs um torneio no qual o vencedor seria quem trouxesse a cabeça da Medusa, então o instinto aventureiro de Perseu não o deixou recusar.
A Medusa, uma das três Górgonas, havia sido violentada por Poseidon o que a deixou com um semblante assustador devido ao horror e ultraje que sentiu. Seu rosto é a expressão do ódio feminino, possuía um olhar gélido, serpentes no lugar dos cabelos e qualquer um que a contemplasse ficava petrificado.

Medusa e Poseidon, Kintao, 2023
Perseu saiu vitorioso da batalha contra a Medusa graças à ajuda de Palas Athena, Hades e Hermes. Palas Athena deu a ele um escudo tão bem polido como se fosse um espelho. Hades deu-lhe um capacete que tornava invisível a quem o usasse e Hermes deu a ele suas sandálias aladas, três objetos que foram definitivos para a vitória de Perseu.

Os três deuses o aconselharam a procurar as Gréias, três senhoras idosas cujos nomes eram Enio, Pefredo e Dino, que possuíam em comum apenas um olho e um dente. Era imprescindível que Perseu as encontrasse porque somente elas sabiam o caminho que o levaria até a Medusa.
Hermes, o senhor dos caminhos, o ajudou nesta trajetória. Ao chegar até elas, Perseu, em um gesto rápido, se apoderou do único olho que elas possuíam, prometendo devolvê-lo somente se elas lhe dessem a informação desejada.

Antes de chegar até o local onde estavam as Górgonas, Perseu encontra umas ninfas que lhe dão uma espécie de alforje chamado “quibisis”, necessário para guardar a cabeça da Medusa.

The Arming of Perseus, Sir Edward Burne-Jones, 1885
Além disto ele já possuía uma espada afiada e os presentes dos deuses. Chegando até seu esconderijo, Perseu tomou o cuidado de não olhar diretamente para a Medusa, então pairou no ar graças às sandálias aladas, verificou a sua localização pelo reflexo no escudo polido e a decapitou.

Perseus and the Head of Medusa, Eugene Romain Thirion (1839–1910)
Em seguida colocou sua cabeça no alforje e fugiu, não sem antes colocar o capacete da invisibilidade, o que impediu que as irmãs da Medusa chamadas Ésteno e Euríale o alcançassem.
Do corpo decapitado nascem Pégaso, o cavalo alado e o gigante Crisaor, ambos filhos de Poseidon, mas que ela não conseguia dar à luz por causa do horror do estupro.

The birth of Pegasus and Chrysaor from the blood of Medusa, Edward Burne Jones (1876-1885))
Em seu caminho de volta, passando pela Etiópia, encontrou um país assolado por um flagelo. Isto porque a esposa do rei Cefeu, Cassiopéia, julgou-se ser mais bonita que a própria Hera. Como castigo, Poseidon enviou um terrível monstro para assolar o país.
Consultando o oráculo, a resposta foi que somente se a filha do rei, Andrômeda, fosse exposta num rochedo como um sacrifício expiatório, o monstro deixaria de devastar a região. O rei pressionado pela população acorrenta a princesa em um rochedo a beira mar.

Andromeda by Paul Gustave Doré, 1869
Neste momento chega o herói Perseu e se apaixona por Andrômeda. Ele promete ao rei que a salvaria desde que este lhe desse a filha em casamento. O acordo foi aceito e Perseu derrota o monstro, salva a princesa e a devolve aos pais, aguardando as prometidas núpcias.

Porém houve alguma resistência quanto a realização da cerimonia porque Andrômeda já havia sido prometida a seu tio Fineu, irmão de Cefeu.

Perseu e Andromeda, Pierre Mignard, 1679
Fineu e seus amigos decidem eliminar Perseu, mas este quando atacado mostra-lhes a cabeça da Medusa, o que deixa os atacantes petrificados.

Perseus Confronting Phineas with the Head of Medusa, Sebastiano Ricci, 1705-10
Acompanhado de sua esposa Andrômeda, Perseu retorna a ilha de Séfiro, onde novos problemas o aguardavam. Polidectes sentia uma forte atração por Dânae e tentou violentá-la. Díctis mais uma vez a protegeu levando-a ao templo sagrado, local inviolável até para o tirano.
Ao receber esta notícia, Perseu vai até o palácio e petrifica Polidectes e sua corte. Depois entrega o trono a Díctis, o humilde pescador que o criara. Devolve as sandálias aladas a Hermes, o capacete a Hades e o alforje às ninfas. Quanto a cabeça da Medusa, Palas Athena a fixa no centro do seu escudo.

Athena, Tsuyoshi Nagano, nascido em 1961
Parte então em companhia de sua esposa Andrômeda e sua mãe Dânae par Argos, sua terra natal. Seu avô Acrísio, informado da sua viagem de volta e temendo a sentença do oráculo, fugiu para Larissa onde se realizavam jogos fúnebres em homenagem à memória do pai de Tentâmides, rei daquela cidade
Perseu resolve participar dos jogos, como tantos outros jovens da região. Acrísio era um simples espectador e Perseu participa da prova do lançamento de disco, mas o faz com tanta força que acaba por atingir seu avô, matando-o instantaneamente.
Cheio de dor pela morte do avô, a quem acabou por não conhecer, Perseu realiza as cerimonias fúnebres e o sepulta. Devido a imensa tristeza que sentia decide não reclamar o trono de Argos e vai para Tirinto, onde reinava seu primo Megapentes, filho de Preto, irmão de Acrísio. Os dois primos resolvem trocar de cidade, assim Megapentes se tornou rei de Argos e Perseu reinou em Tirinto.

Imagem de capa: Perseu e Andrômeda, Charles André Van Loo, 1735-40



