Peixes – as duas regencias

13 de junho de 2026

Peixes – as duas regências

Peixes é o signo de Água Mutável, aquela que dispõe a adaptabilidade, ao ritmo, a oscilação, a flexibilidade, a versatilidade, ao ecletismo.

Ele tem analogia com o arquétipo da dissolução e da integração universal, a devoção, a fé, o misticismo, a mediunidade, a compaixão, a bondade e a caridade. Tem afinidade com o desejo de escapar das limitações do cotidiano através da imaginação, da meditação ou do uso de substâncias alucinógenas.

Indica o desapego dos bens materiais, a generosidade, os sonhos, a música e as artes, a inspiração, as bebidas, as drogas, o asilo, os hospitais. Seu destino é uma existência instável que começa com o rebaixamento do Ego, quando o auto sacrifício o conduz a uma vida plena e fecunda.

Simboliza a religiosidade, a espiritualidade, o ocultismo, o amor universal, a fantasia, a contemplação, fotografia e cinema, o velar e o revelar.

Peixes é um signo duplo, como se pode notar em suas ilustrações, nas quais os dois peixes nadam em direções opostas. Porém existe um fio de ouro que conecta suas bocas, que é ali colocado como solução interna à contradição externa dos dois peixes.

Inclusive seu símbolo astrológico é composto de duas linhas curvas, representando os peixes, porém unidos por uma linha horizontal.

O signo corresponde ao período final do intervalo entre o Solstício de Inverno e o Equinócio da Primavera no Hemisfério Norte.

Na Natureza, é o momento em que a neve começa a derreter proporcionando as últimas chuvas do Inverno. As planícies cultiváveis ficam inundadas com esta água e as sementes adquirem vigor para desabrochar logo em seguida.

Pisces, Alexander Jamieson’s Celestial Atlas, 1822

O signo de Peixes é assim chamado em homenagem a dois delfins que salvaram a vida de Afrodite e seu filho Eros. Eles estavam sendo perseguidos por Tífon, um ser monstruoso que havia derrotado Zeus e arrancado os seus tendões.

No desespero eles se atiraram no mar e Poseidon enviou estes delfins que os levaram para longe, fora do alcance do monstro. Depois de recuperar os tendões e vencer Tífon, Zeus colocou os delfins no céu formando a Constelação de Peixes.

Tradicionalmente Peixes foi regido pelo planeta Júpiter, sua segunda casa, sendo a primeira Sagitário, onde ele mantém seus domínios.

Por vários séculos esta regência se manifestou, até que em em 23 de setembro de 1846, Netuno foi descoberto, graças ao trabalho do astrônomo Urbain le Verrier.

Ele propôs o nome Netuno para o seu novo planeta e, em poucos anos, Netuno tornou-se o nome internacionalmente aceito.

Urbain Le Verrier (1811-1877)

Verificando o que acontecia na História, grandes acontecimentos despontaram, como a Revolução Industrial, em curso desde a descoberta de Urano. Houve o desenvolvimento da teoria da evolução das espécies por Charles Darwin, contestando a versão de Adão e Eva.

Na filosofia, surgiram correntes como o Positivismo de Auguste Comte e o Manifesto Comunista de Karl Marx e Friedrich Engels. Nas Artes, temos o Romantismo que valorizava a vida na natureza e a exaltação de sentimentos amorosos, e criticava a modernização da indústria. 

Allan Kardec estabelece a doutrina do Espiritismo, para investigar  a existência e as manifestações dos espíritos dos mortos. Helena Blavatsky foi uma escritora russa, responsável pela sistematização da moderna Teosofia e co-fundadora da Sociedade Teosófica.

Como se vê, são acontecimentos sutis, mas que procuram valorizar o ser humano perante a engrenagem massificadora da exploração do homem pelo homem.

Os astrólogos fizeram observações sobre os efeitos dos trânsitos deste planeta e chegaram à conclusão de que sua regência deveria ser o signo de Peixes. Afinal, nada mais coerente do que colocar o Senhor dos Mares regendo um signo aquático como o dos Peixes.

Netuno fotografado pela Voyager 2 em 1989

Porém, Júpiter continuou a ser o co-regente ou regente noturno, dividindo com Netuno a regência de Peixes, mas as características de Júpiter em Peixes são ligeiramente diferentes das de Netuno, como iremos verificar em seguida.

Nesta posição Júpiter traz profundidade, compaixão, e faz com que aprendamos a ajudar e sermos responsáveis pelos outros. Júpiter nos capacita a entender nossa missão evolutiva, fazendo com que a Humanidade acredite na força existente no Amor.

Ele faz com que percebamos nossa intuição para compreender as realidades que estão além da manifestação física. Também nos possibilita a obter maturidade espiritual para alcançar e evoluir na aliança com o poder espiritual universal.

Faz com que possamos captar a realidade última do infinito, a existência do todo no nada. As pessoas têm grandeza de alma, são humanitários, sacerdotais, voltadas para a caridade, filantropismo e a arte superior, sobretudo a música.

Elas são emotivas e tem satisfação em ajudar os outros, com vasta compreensão das coisas e atividades humanas. Podem também ter tendência a fugir para as memorias da infância que lhe trazem prazer e a fugir da realidade.

Netuno neste signo nos convoca a união intuitiva com o inconsciente e com o passado e entendimento das recordações de vidas passadas. Pode também nos fazer acessar memórias e imagens do momento pré-natal.

Traz poderes místicos para uma busca espiritual interior, com a sensibilização funcional do centro psíquico pineal. Produz habilidade para clarividência, clariaudiência, terapia, conforto psicológico, poesia, música e dotes artísticos.

Netuno faz com que tenhamos compaixão por aqueles menos afortunados, que podem trazer experiências que nos conectam ao divino. Nos proporciona um espírito piedoso e humanitário, filantrópico, com sublimação e inspiração espirituais, um verdadeiro sacerdócio.

Caridade, Friedrich von Amerling (1803 – 1887)

Lembremos que a palavra sacrifício contém dentro de si os termos sacro-ofício, um ritual sagrado, algo que vem a agradar as divindades. Por fim, podemos dizer que enquanto Júpiter cuida da Lei dos homens, Netuno trata das Leis divinas.

Trata-se de uma força que se faz sentir de forma dócil, porém persistente, perseverante, produzindo transformações progressistas. O planeta Júpiter é chamado de o “amplificador”, ao passo que o planeta Netuno é o “re-velador”. Aqui cabe um esclarecimento, pois Netuno por vezes vela, oculta um fato, mas depois o revela.

Júpiter traz consigo o otimismo, novas possibilidades, a esperança de dias melhores, ultrapassar limites, descobrir outras manifestações culturais. Ele também é chamado de “o grande benéfico”, produzindo efeitos positivos por onde passa nos mapas de cada um de nós.

Já Netuno nos traz o desejo ir além do sentimento de ser um eu separado e fundir-se com algo maior. Diferente do oráculo de Delfos que dizia “conhece-te a ti mesmo”, Netuno provoca o impulso de nos perdermos, de dissolver as fronteiras do ego.

Ele é um solvente de fronteiras e vem a apagar ou diluir o limite existente entre nós e os outros ou entre nosso ego e o inconsciente. Ele pode aumentar nossa empatia e o sentimento de estar ligado a tudo o que existe, como no conceito budista “Tudo em um e um em Tudo”.

A energia deste planeta pode nos fazer eventualmente apreciar momentos de isolamento, ficando mais introspectivos. Como sugestão, poderíamos dizer que devemos procurar momentos dedicados a buscar no silencio interior as verdades que vem do nosso inconsciente.

Por conta desta maior busca por elevação, tendemos a desenvolver melhor nossa intuição e nos renovar espiritualmente. Buscar lugares calmos, tranquilos e que contenham uma energia positiva pode nos ajudar bastante neste processo.

Pisces, art work by Yuhon, 2010

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